Perto da minha escola, existe uma escola especialmente para alunos surdos. Por incrível que pareça, pouquíssimas pessoas da comunidade conhecem esta escola.
Houve um tempo em que eu ia ao trabalho usando o ônibus. E foi no ônibus que comecei a ter contato com a garotada surda, que se dirigia a esta escola especial no mesmo horário. Percebi, com o tempo, que o motorista e o cobrador do ônibus já conseguiam interagir com os adolescentes, especialmente às segundas-feiras, depois de um domingo com jogos da dupla grenal. Ficavam "gozando" uns dos outros, colorados ou gremistas. E eu achava aquela interação muito bonita.
Certa vez, desenvolvendo o conteúdo dos cinco sentidos com meus alunos, os levei para conhecer esta escola. Eu também não conhecia de perto. Fomos a pé, em 10 minutos, tão pertinho ela fica.
Fomos muito bem recebidos e a visita foi inesquecível. A escola é bonita, bem aparelhada. Conhecemos todas as salas de aula, desde os bem pequenos até os adolescentes. São poucos alunos em cada sala. No máximo dez. Salas bonitas, cheias de material visual, mas sem estarem poluídas visualmente. Os alunos fazem cada série em dois anos, pois o processo de aprendizado é mais lento em função da falta de audição.
Quando dá o sinal sonoro de fim de período ou início de recreio, várias lâmpadas espalhadas por toda a escola ficam piscando. Fizemos o lanche com eles, brincamos juntos no recreio. Foi muito bom.
Agora, nesta semana, teremos em minha escola a mostra cultural. Várias atividades irão acontecer. E uma delas será um espetáculo de dança apresentado, adivinhem por quem? Por alunos surdos desta escola especial! Sim, eles irão dançar!
Meus alunos e eu estamos ansiosos pra ver. Depois eu conto como foi.
domingo, 18 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
O desafio da alfabetização de adultos
Depois de ler o texto "Alfabetização de Adultos: ainda um desafio", de Regina Hara, fica evidenciada que a leitura do mundo é diferente da leitura da palavra. E é por isso que adultos não-alfabetizados conseguem interagir na sociedade, trabalhando, pegando ônibus, indo ao banco, criando seus filhos, etc. Sabem ler o mundo e por que não a palavra?
É preciso que o educador parta daquilo que os educandos já sabem, sejam eles adultos ou crianças. Mas especialmente em relação aos adultos, é preciso também que os professores realmente admitam sua ignorância em relação aos conceitos que adultos não-alfabetizados já sabem, para então partir daí no seu processo de alfabetização.
Para o sucesso dessa alfabetização, é necessário preparar os professores para isso, proporcionar um bom ambiente de aprendizado (adultos vêm cansados para a escola) e especialmente dar segurança física ao corpo docente e discente, já que escolas que oferecem EJA normalmente estão nas periferias muitas vezes desassistidas.
Pessoalmente, penso que deve ser um imenso prazer tornar um adulto não-alfabetizado capaz de deixar um bilhete para o filho ou conseguir ler um recadinho de carinho enviado por colega de aula!!
É preciso que o educador parta daquilo que os educandos já sabem, sejam eles adultos ou crianças. Mas especialmente em relação aos adultos, é preciso também que os professores realmente admitam sua ignorância em relação aos conceitos que adultos não-alfabetizados já sabem, para então partir daí no seu processo de alfabetização.
Para o sucesso dessa alfabetização, é necessário preparar os professores para isso, proporcionar um bom ambiente de aprendizado (adultos vêm cansados para a escola) e especialmente dar segurança física ao corpo docente e discente, já que escolas que oferecem EJA normalmente estão nas periferias muitas vezes desassistidas.
Pessoalmente, penso que deve ser um imenso prazer tornar um adulto não-alfabetizado capaz de deixar um bilhete para o filho ou conseguir ler um recadinho de carinho enviado por colega de aula!!
Letramento
Penso que para sanar este tipo de dificuldade presente em nossas escolas, várias seriam as sugestões. Uma delas seria que o professor tivesse mais autonomia para sair fora dos padrões seguidos pela escola, e que também contasse com uma boa parceria com a coordenação pedagógica, para que suas práticas pudessem estar embasadas e com referenciais teóricos. E sequer conta-se com cordenação pedagógica na totalidade das e scolas!
domingo, 20 de setembro de 2009
Letramento
Por letramento entende-se o uso social da escrita, diferente da alfabetização, que é uma competência individual.
Saber ler e escrever é essencial para a inserção na sociedade. Mas vemos pessoas analfabetas que no entanto não deixam de fazer parte de um grupo social.
Com o power point "Práticas de leitura, escrita e oralidade no contexto social" podemos ver um conjunto de práticas sociais, praticadas por pessoas que são letradas mas talvez nem alfabetizadas.
Lembro agora que certa vez, numa turma de educação infantil, nível V, vi uma menininha na seguinte situação, belíssima: ela colocou um boneco no carrinho de bonecas, pegou um livrinho de história (ela não sabia ler), sentou-se em frente e começou a contar a história para seu amiguinho. Fazia isso perfeitamente, exatamente como se estivesse lendo. Com calma, entonação, empolgação, até a última página... Uma cena que não esquecerei! Ela estava fazendo o uso social da leitura e escrita, mesmo muito antes de sua alfabetização escolar.
Agora, no 2º ano, esta mesma menininha vem tendo dificuldade para se alfabetizar. Por quê? Não sei ao certo, mas depois da leitura do texto Kleiman, "Modelos de letramento e as práticas de alfabetização da escola", penso que possa ser por a escola estar desenvolvendo uma prática pedagógica abstrata, desconsiderando a prática social que ela( a menina) já dominava.
Saber ler e escrever é essencial para a inserção na sociedade. Mas vemos pessoas analfabetas que no entanto não deixam de fazer parte de um grupo social.
Com o power point "Práticas de leitura, escrita e oralidade no contexto social" podemos ver um conjunto de práticas sociais, praticadas por pessoas que são letradas mas talvez nem alfabetizadas.
Lembro agora que certa vez, numa turma de educação infantil, nível V, vi uma menininha na seguinte situação, belíssima: ela colocou um boneco no carrinho de bonecas, pegou um livrinho de história (ela não sabia ler), sentou-se em frente e começou a contar a história para seu amiguinho. Fazia isso perfeitamente, exatamente como se estivesse lendo. Com calma, entonação, empolgação, até a última página... Uma cena que não esquecerei! Ela estava fazendo o uso social da leitura e escrita, mesmo muito antes de sua alfabetização escolar.
Agora, no 2º ano, esta mesma menininha vem tendo dificuldade para se alfabetizar. Por quê? Não sei ao certo, mas depois da leitura do texto Kleiman, "Modelos de letramento e as práticas de alfabetização da escola", penso que possa ser por a escola estar desenvolvendo uma prática pedagógica abstrata, desconsiderando a prática social que ela( a menina) já dominava.
Comênio
No meu entender, uma prática pedagógica centrada no aluno é aquela que leva em conta as reais necessidades e expectativas dos alunos. É preciso que os professores conheçam a realidade dos alunos. A escola deve estar inserida na comunidade e a ela atender. Para isso, é importante que os professores conheçam de perto o bairro, a comunidade, enfim a realidade da qual a escola faz parte. Pessoalmente, penso ser muito válido fazer visitas na casa dos alunos e andar pelo bairro, para conhecer melhor esta realidade.
sábado, 5 de setembro de 2009
Comênio
Hoje tive o prazer de conhecer um pouco sobre a vida e obra de Comênio, considerado o "pai da Didática", e suas idéias pedagógicas, fazendo a relação com o atual cotidiano escolar.
Comênio viveu no século XVII e sua obra principal denomina-se "Didática Magna".
Encontrei vários elementos da pedagogia de Comênio no meu cotidiano escolar. Já há 300 anos, ele recomendava, entre outras coisas, que as aulas não fossem sobrecarregadas de informações e que deveriam ser alternadas com conversa, brincadeira, música.
Em meu cotidiano escolar essa prática se faz presente, pois as aulas são alternadas com atividades lúdicas, esportivas, artísticas e com hora do conto.
Mas surpreendeu foi o fato de isso ter sido idealizado há tantos séculos atrás. Se hoje faz parte da prática escolar, nem sempre foi assim. É uma prática recente e que foi adotada a fim de viabilizar que os professores tenham cumpridas suas horas atividade, enquanto os alunos estão nessas outras atividades.
É uma coisa boa, mas não foi implantada pensando nas necessidades dos alunos, como propunha Comênio. Ao contrário do que ele imaginava, nossa prática pedagógica ainda está centrada no professor.
Comênio viveu no século XVII e sua obra principal denomina-se "Didática Magna".
Encontrei vários elementos da pedagogia de Comênio no meu cotidiano escolar. Já há 300 anos, ele recomendava, entre outras coisas, que as aulas não fossem sobrecarregadas de informações e que deveriam ser alternadas com conversa, brincadeira, música.
Em meu cotidiano escolar essa prática se faz presente, pois as aulas são alternadas com atividades lúdicas, esportivas, artísticas e com hora do conto.
Mas surpreendeu foi o fato de isso ter sido idealizado há tantos séculos atrás. Se hoje faz parte da prática escolar, nem sempre foi assim. É uma prática recente e que foi adotada a fim de viabilizar que os professores tenham cumpridas suas horas atividade, enquanto os alunos estão nessas outras atividades.
É uma coisa boa, mas não foi implantada pensando nas necessidades dos alunos, como propunha Comênio. Ao contrário do que ele imaginava, nossa prática pedagógica ainda está centrada no professor.
sábado, 27 de junho de 2009
A educação após Auschwitz
"Se os homens não fossem profundamente indiferentes ao que acontece com todos os demais, exceto aos quais encontram-se ligados por interesse, então Auschwitz não teria sido possível", na visão do filósofo Adorno. Para ele, a estrutura da sociedade reside na busca do interesse próprio de cada um contra os interesses dos demais.
Todas as pessoas sentem-se mal-amadas, simplesmente porque não sabem amar.
Para evitar a repetição da barbárie, o autor diz que a solução está no esclarecimento do que aconteceu, na educação das crianças em especial, e na adesão ao amor. Ajudar na conscientização da frieza em si e apurar os motivos que a levaram, para elimina-la. Mas sobretudo ele sugere que seja dedicada especial atenção à educação das crianças, especialmente na 1ª infância, tratando-as com amor e dedicação.
Creio que o autor está correto em afirmar que é necessário dedicar especial atenção às crianças, educando-as com amor, pois é sabido que nossos traumas, os medos que muitas vezes não encaramos, instalaram-se em nosso inconsciente em uma das etapas de nossa infância. Concordo que é preciso esclarecer às pessoas em relação ao holocausto e até mesmo mostrar-lhes que essa barbárie é bem passível de acontecer novamente, devido à falta de esclarecimento, principalmente.( Inclusive, existe um filme que se não me engano chama-se A Terceira Onda, que mostra o quão fácil seria de convencer as pessoas a deixarem-se levar por esta barbárie novamente.)Já em relação à adesão ao amor, também fico, como ele, perguntando como isso seria possível, uma vez já instalada a frieza e o individualismo característicos do nosso tempo. Alguém poderia dizer que isso só seria possível após uma grande perda em massa, alguma grande catástrofe mundial, fato que poderia levar o homem a valorizar simplesmente as relações humanas, ou seja, o amor. Outro poderia dizer que é apenas utopia.
Para evitar a repetição da barbárie, o autor diz que a solução está no esclarecimento do que aconteceu, na educação das crianças em especial, e na adesão ao amor. Ajudar na conscientização da frieza em si e apurar os motivos que a levaram, para elimina-la. Mas sobretudo ele sugere que seja dedicada especial atenção à educação das crianças, especialmente na 1ª infância, tratando-as com amor e dedicação.
Creio que o autor está correto em afirmar que é necessário dedicar especial atenção às crianças, educando-as com amor, pois é sabido que nossos traumas, os medos que muitas vezes não encaramos, instalaram-se em nosso inconsciente em uma das etapas de nossa infância. Concordo que é preciso esclarecer às pessoas em relação ao holocausto e até mesmo mostrar-lhes que essa barbárie é bem passível de acontecer novamente, devido à falta de esclarecimento, principalmente.( Inclusive, existe um filme que se não me engano chama-se A Terceira Onda, que mostra o quão fácil seria de convencer as pessoas a deixarem-se levar por esta barbárie novamente.)Já em relação à adesão ao amor, também fico, como ele, perguntando como isso seria possível, uma vez já instalada a frieza e o individualismo característicos do nosso tempo. Alguém poderia dizer que isso só seria possível após uma grande perda em massa, alguma grande catástrofe mundial, fato que poderia levar o homem a valorizar simplesmente as relações humanas, ou seja, o amor. Outro poderia dizer que é apenas utopia.
Para mim, foi uma agradável surpresa conhecer Adorno e sua dedicação à educação. Igualmente também surpreendeu sua preocupação em dar ênfase na educação das crianças na 1ª infância, pois muitas vezes não é dada a devida importância à educação pré-escolar.
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