quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O show dos alunos e professora surdos

Como prometi, cá estou para contar como foi a apresentação dos alunos surdos na Mostra Multicultural da minha escola. Foram dois grupos: um pela manhã e outro à tarde. O grupo da manhã era composto de crianças na faixa dos 10 a 12 anos de idade, aproximadamente. Vieram acompanhados de duas professoras, uma também surda, e outra que servia de intérprete. Dançaram apenas um número, de samba. Muito bonito! Vieram bem produzidos para a coreografia. Nossos alunos ficaram surpresos com a capacidade de eles dançarem no ritmo, no tempo certo, mesmo sem a capacidade de ouvir a música. A professora disse que eles gostam muito de dançar. Também ensinaram alguns sinais da sua língua, como bater palmas, por exemplo.
Mas à tarde é que foi show. Veio um grupo bem maior, de alunos e professoras. Este grupo era composto de adolescentes, na faixa dos 14 a 18 anos. Apresentaram vários números, dançaram vários ritmos, representaram, enfim, arrasaram. Sem exageros. A professora surda dançou também, misturada a eles. Vieram bem produzidos. Deram um show mesmo, especialmente no hip hop. Deixaram a todos encantados. Ensinaram vários sinais, interagiram com os nossos alunos.
Quando tudo acabou e voltamos para a sala de aula, meus alunos já sabiam expressar-se em libras! Sério! É impressionante como eles aprenderam tão facilmente a língua de sinais. Alguns gestos é claro, mas levando em conta que foi em tão pouco tempo, fico admirada! E percebo o quanto a aprendizagem é facilitada quando ela é significativa para o aluno. Como neste caso. E eu, que estava achando tão difícil entender e memorizar os sinais, passei a ser aluna de meus alunos no restante da semana, em libras. Fantástico, não é?

Um comentário:

Marga disse...

Pra ti veres, Jandira, como é interessante quando o que temos diante da gente sao aprendizagens significativas! Na aula presencial a professora Janaina lembrou que essa dialogicidade gestual tem um ressignificado expressivo quando nos apropriamos dos conceitos,é que estes mudam a qualidade da interação com um portador de necessidade especial, em especial os surdos. Constantemente aprendemos e ensinamos, porque essa troca nos reporta a um patamar diferenciado de esquemas mentais.é onde as aprendizagegens se tornam significantes Parabéns pelo relato. Muito bacana esse teu entusiamo, mas vale lembrar que nesse espaço, a teorização se faz importante, pra fundamentar essa face tao bela da pessoa que tu és: a docente comprometida em transformar o mundo em que atuas. Relacionas com tuas leituras e verás que é facil contextualizar essa experiência!Abracitos