sábado, 5 de setembro de 2009

Comênio

Hoje tive o prazer de conhecer um pouco sobre a vida e obra de Comênio, considerado o "pai da Didática", e suas idéias pedagógicas, fazendo a relação com o atual cotidiano escolar.
Comênio viveu no século XVII e sua obra principal denomina-se "Didática Magna".
Encontrei vários elementos da pedagogia de Comênio no meu cotidiano escolar. Já há 300 anos, ele recomendava, entre outras coisas, que as aulas não fossem sobrecarregadas de informações e que deveriam ser alternadas com conversa, brincadeira, música.
Em meu cotidiano escolar essa prática se faz presente, pois as aulas são alternadas com atividades lúdicas, esportivas, artísticas e com hora do conto.
Mas surpreendeu foi o fato de isso ter sido idealizado há tantos séculos atrás. Se hoje faz parte da prática escolar, nem sempre foi assim. É uma prática recente e que foi adotada a fim de viabilizar que os professores tenham cumpridas suas horas atividade, enquanto os alunos estão nessas outras atividades.
É uma coisa boa, mas não foi implantada pensando nas necessidades dos alunos, como propunha Comênio. Ao contrário do que ele imaginava, nossa prática pedagógica ainda está centrada no professor.

sábado, 27 de junho de 2009

A educação após Auschwitz

"Se os homens não fossem profundamente indiferentes ao que acontece com todos os demais, exceto aos quais encontram-se ligados por interesse, então Auschwitz não teria sido possível", na visão do filósofo Adorno. Para ele, a estrutura da sociedade reside na busca do interesse próprio de cada um contra os interesses dos demais.
Todas as pessoas sentem-se mal-amadas, simplesmente porque não sabem amar.
Para evitar a repetição da barbárie, o autor diz que a solução está no esclarecimento do que aconteceu, na educação das crianças em especial, e na adesão ao amor. Ajudar na conscientização da frieza em si e apurar os motivos que a levaram, para elimina-la. Mas sobretudo ele sugere que seja dedicada especial atenção à educação das crianças, especialmente na 1ª infância, tratando-as com amor e dedicação.
Creio que o autor está correto em afirmar que é necessário dedicar especial atenção às crianças, educando-as com amor, pois é sabido que nossos traumas, os medos que muitas vezes não encaramos, instalaram-se em nosso inconsciente em uma das etapas de nossa infância. Concordo que é preciso esclarecer às pessoas em relação ao holocausto e até mesmo mostrar-lhes que essa barbárie é bem passível de acontecer novamente, devido à falta de esclarecimento, principalmente.( Inclusive, existe um filme que se não me engano chama-se A Terceira Onda, que mostra o quão fácil seria de convencer as pessoas a deixarem-se levar por esta barbárie novamente.)Já em relação à adesão ao amor, também fico, como ele, perguntando como isso seria possível, uma vez já instalada a frieza e o individualismo característicos do nosso tempo. Alguém poderia dizer que isso só seria possível após uma grande perda em massa, alguma grande catástrofe mundial, fato que poderia levar o homem a valorizar simplesmente as relações humanas, ou seja, o amor. Outro poderia dizer que é apenas utopia.
Para mim, foi uma agradável surpresa conhecer Adorno e sua dedicação à educação. Igualmente também surpreendeu sua preocupação em dar ênfase na educação das crianças na 1ª infância, pois muitas vezes não é dada a devida importância à educação pré-escolar.
Outro dia, ao observar meus alunos na fila, vi que alguns meninos estavam se chutando. Logo pensei em me colocar entre eles, a fim de parar com aquela agressão. Mas então percebi que eles estavam gostando, rindo até. Ou seja, não era uma agressão, era uma brincadeira. Uma maneira agressiva de brincar, de acordo com a minha ótica mas não com a deles.
Agora, lendo o texto de Jaqueline Picetti, "Significação de violência na escola: equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança", baseado em Piaget, vejo que crianças de 7 a 10 anos estão construindo as noções de justiça, solidariedade, intencionalidade e responsabilidade. E nós, professores, podemos auxiliar as crianças a refletirem sobre essas situações.
De acordo com Piaget, até os 10 anos os atos são avaliados segundo seus resultados, independente das intenções.
Sendo assim, o que por mim foi observado e julgado como agressivo, para eles, meninos de 9 anos de idade, era apenas uma forma de brincar. E para Piaget (1994) “...o adulto deve ser um colaborador e não um mestre, do duplo ponto de vista moral e racional (...). Nesse contexto, é bom que nós educadores respeitemos o processo de desenvolvimento moral de nossos alunos, compreendendo que o que nos parece violento pode ser apenas uma característica de determinada fase de construção da autonomia da criança.

eixo VI

Superando a dificuldade de incorporar, como estudante, o hábito de fazer os registros regulares de minhas conquistas e superações em meu processo de aprendizagem, inicio agora este registro do eixo VI do curso.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Currículo e avaliação

Nossa educação, nossa formação para a docência, até agora, pouco nos ensinou sobre a avaliação. É um assunto evitado, geralmente.
Conhecemos bem a avaliação somativa, mas ainda estamos na recente prática da avaliação formativa. Para exercê-la, deixamos de simplesmente atribuir uma nota no boletim escolar do aluno e passamos a usar também o parecer descritivo, onde descrevemos os avanços e as dificuldades que o aluno demonstrou.
Inclusive, no 1º ano e em parte do 2º ano do ensino fundamental de 9 anos, a avaliação é apenas descritiva, sem atribuição de notas. E isso implica numa mudança: já não apenas o ensinar. A ênfase começa a ser dada para o aprender.
Para que o aprendizado ocorra, a tarefa de ensinar não cabe apenas ao professor. Cabe também ao currículo da escola, à sua gestão, à organização das salas de aula, aos pais e, é claro, ao próprio jeito de avaliar.
A avaliação formativa precisa levar em conta, ainda, que os alunos possuem ritmos e processos de aprendizagens diferentes. Precisamos de fato considerar o que já prevê a lei: os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos.
Se desejamos mesmo uma sociedade pautada pela cooperação, pela inclusão, onde todos tenham o direito de aprender, precisamos discutir e pôr em prática novas formas de avaliação.
É preciso que o professor conheça bem seu aluno, sua realidade. Por isso, temos a prática, em minha escola, de fazermos um passeio pelo bairro, com toda a turma, com o objetivo de conhecermos a casa de cada um. Isso tem ajudado a compreender a realidade dos nossos alunos e também o quanto a nossa, às vezes, está distante da deles.
Também adotamos na escola, desde o início do ano, a recuperação preventiva. Ou seja: dedicamos aulas de reforço, em pequenos grupos, aos alunos que necessitam de uma dedicação mais individual. Assim, podemos avaliar com mais segurança.

PAs

Foram muito úteis os Projetos de Aprendizagem desenvolvidos durante o semestre, pelas interdisciplinas de Psicologia e Seminário Integrador. Principalmente porque foram desenvolvidos em grupo.
A princípio, houve uma certa resistência ao trabalho em grupo. Mas depois de iniciado o projeto, o trabalho em grupo comprovou ser uma forma mais prazerosa de aprendizagem, pois há a troca , a colaboração, a interação. Até então, como professora procurava evitar o trabalho em grupo com os alunos. A partir deste meu aprendizado com os PAs, arrisquei o trabalho em grupo com meus alunos de 5ª série, nas aulas de Língua Portuguesa. E o resultado foram belíssimos poemas feitos – que alegria – em grupos.
Minha resistência inicial ao trabalho em grupo, como aluna, baseava-se no fato de não conhecer pessoalmente a maioria das colegas do grupo e que isso pudesse dificultar a interação. Mas o grupo funcionou bem à distância, e as colegas revelaram-se agradáveis pessoas.Como docente, a dificuldade para o trabalho em grupo era a “bagunça” na sala de aula.

Diretrizes curriculares

Durante muito tempo fui uma das “muitas professoras que tomam os PCNs pelas DCN considerando-os mandatários quando não o são.” Fiquei surpresa ao tomar conhecimento deste meu equívoco. Apesar de já ter participado de algumas formações continuadas, estava bem desinformada quanto às diretrizes curriculares.Ainda durante a leitura e estudo de material disponibilizado pela interdisciplina, tomei conhecimento que o simples anúncio das diretrizes curriculares nos documentos da escola não é garantia para um atendimento contextualizado com o público atendido pela escola. É necessário que os professores apropriem-se dessas diretrizes e as ponham em prática, para que aconteça a aprendizagem dos alunos.